"Os Verdadeiros Vilões da Piscicultura e da Pesca Recreativa"

          A revista Pesca e Companhia de Junho/97 entrevistou o Dr. Gilberto Cezar Pavanelli, presidente da Associação Brasileira de Patologistas de Organismos Aquáticos-ABRAPOA. Embora concorde com o Dr. Pavanelli sobre os enormes prejuízos que as doenças e parasitoses vêm causando, ao meu ver, estes não são os maiores vilões dos pesqueiros e piscicultores. Problemas de doenças e parasitoses em muitos pesqueiros e pisciculturas estão sendo minimizados sem o uso de qualquer produto terapeutico, apenas com a adoção de
estratégias preventivas, baseadas no adequado monitoramento e correção da qualidade da água e na melhoria do manejo nutricional e alimentar. O aprimoramento das estratégias de pesca e transporte de peixes, também vêm incrementando o sucesso da atividade.

          No entanto, a grande maioria dos piscicultores e dos gerentes de pesqueiros não dispõem de conhecimentos técnicos suficientes para garantir resultados satisfatórios. Soma-se a esta deficiência técnica, a ausência de um gerenciamento empresarial efetivo no controle de estoque de peixes e de balanço financeiro, e o descaso pelo grau de satisfação dos clientes, com relação aos produtos e serviços oferecidos.

          A imagem do peixe cultivado colocado no mercado através do varejo ou dos estabelecimentos de pesca recreativa está sendo comprometida pelo:

1) Frequente mal sabor acentuado pela inadequada qualidade da água, causada pelo acúmulo excessivo de resíduos orgânicos nos tanques de cultivo e de pesca.

2) Aspecto visual, muitas vezes prejudicado pela presença de parasitos macroscópicos ou por lesões características de algumas doenças.

3) Acúmulo excessivo de gordura em algumas espécies, devido ao inadequado manejo nutricional e alimentar. O questionamento sobre a possibilidade do acúmulo de um coquetel de produtos químicos, usados indiscriminadamente no controle de doenças e parasitoses, pode
vir a comprometer toda a indústria do peixe cultivado e da pesca recreativa em nosso país. Produtos como o verde de malaquita (composto carciogênio e que pode levar à
anormalidades fetais) e diversos antibióticos são recomendados por técnicos, no mínimo irresponsáveis, para o controle de parasitoses e doenças. Bastaria um alarde sobre o fato em qualquer telejornal de média audiência para fomentar a opnião pública.
          
         A responsabilidade mínima do piscicultor ou gerente do pesqueiro é promover e garantir a imagem de que o peixe  comercializado, corresponde a um produto naturalmente saudável
e nutritivo, isento de drogas nocivas e da mais alta qualidade. Este  será o maior apelo comercial em prol do peixe cultivado.

          Os verdadeiros vilões da piscicultura e pesca recreativa são, portanto, os próprios piscicultores e gerentes de pesqueiros invarialmente desatentos à necessidades de adotar estratégias profissionais, para a condução da atividade. Frente à esta realidade, o autor julga imprescindível divulgar uma série de notas técnicas referentes ao manejo operacional dos sistemas de pesca recreativa, hoje os principais mercados para o peixe cultivado. Na sequência de notas técnicas serão abortados os seguintes temas:

1) Alimentação dos peixes no pesqueiro.

2) Manutenção da adequada qualidade de água nos tanques de pesca.

3) Procedimentos básicos para o transporte de peixes em tanques.

4) Estratégias preventivas de doenças e parasitoses.

Dr. Fernando Kubitza, Ph. D.  Prof. da Universidade de S.P.
Escola Superior de Agricultura "Luis de Queiroz"  DZ/ESALQ-USP
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fkubitza@carpa.ciagri.usp.br